A Dor Como Parte do Caminho
A dor faz parte do processo. Pois tudo aquilo que transforma inevitavelmente nos atravessa com certa violência. Não porque o universo seja cruel, mas porque o crescimento exige ruptura — e romper nunca é indolor. A semente que rompe a casca, o músculo que se reconstrói após o esforço, o coração que se refaz após a perda. Tudo isso dói. Mas também tudo isso é vida em expansão.
Por que deveríamos evitá-la? É preciso abandonar a ilusão de que a vida plena é aquela livre de desconfortos. Quem se deita por tempo demais em busca de descanso acabará sentindo dor nas costas. Quem corre o dia inteiro atrás dos próprios sonhos sentirá os pés latejando ao final. Em ambos os casos, o incômodo é inevitável. A diferença está no propósito que acompanha essa dor. Uma nasce da estagnação; outra, do movimento.
A dor, portanto, é sinal de transformação. Ela nos alerta que estamos vivos, sensíveis ao mundo, que ainda não nos acomodamos na apatia. Fugir dela é fugir de si. É preciso acolhê-la com sabedoria, entendendo que o sofrimento não é o objetivo, mas muitas vezes o caminho necessário. Nenhuma montanha foi escalada sem músculos tremendo, nenhum conhecimento profundo foi alcançado sem a angústia da dúvida.
Sem dor, não há evolução. A travessia é feita entre tropeços e aprendizados, e só amadurece quem se permite sentir. Não se trata de romantizar o sofrimento, mas de reconhecer sua função. Que sejamos corajosos o bastante para abraçar o desconforto necessário, em vez de buscar atalhos que nos afastam de nosso próprio crescimento.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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