Ubuntu
Certa vez, um antropólogo estudava os usos e costumes de uma tribo africana. Quando os integrantes terminaram suas tarefas, ele propôs uma brincadeira.
Colocou, debaixo de uma árvore, um cesto cheio de doces e sugeriu uma corrida. A criança que chegasse primeiro ficaria com todos os doces.
Imediatamente, todas se alinharam. Algo extraordinário estava prestes a acontecer. Quando o sinal foi dado, dizendo “Já!”, em vez de correrem cada uma por si, todas deram as mãos e caminharam juntas até a árvore. Pegaram o cesto de forma sincronizada e, com alegria, dividiram os doces entre si, celebrando como se todas tivessem vencido.
O antropólogo, intrigado, observou em silêncio. Uma das crianças olhou para ele e disse:
“Ubuntu.”
E completou: “Como uma de nós poderia ficar feliz se as outras estivessem tristes?”
Ubuntu é uma filosofia africana que traduz uma profunda ética de interdependência. Significa:
“Sou quem sou, porque somos todos nós.”
É o reconhecimento de que a essência de cada ser humano está ligada ao coletivo. Ninguém se realiza verdadeiramente isolado. A dor do outro também é nossa; a alegria do outro nos alcança. Somos, em parte, resultado das relações que cultivamos, das histórias que compartilhamos, das mãos que nos ajudaram a caminhar.
Ter Ubuntu é saber que viver bem não é vencer sozinho, mas fazer com que todos ao redor também avancem. É a compreensão de que a verdadeira grandeza não está na superioridade, mas na solidariedade.
Que essa história simples nos desperte para algo essencial: nenhum gesto de compaixão é pequeno demais, nenhuma vitória é completa se for solitária.
Num mundo cada vez mais voltado para o individualismo, que sejamos capazes de lembrar: a humanidade só floresce quando caminhamos de mãos dadas.
Somos quem somos, porque somos todos nós.
Artigo: Irmão Barbosa.
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Este Artigo faz parte do Livro de Toleran. O Livro do Tolerâncialismo.
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